.:: Pois é... ::.

A vida continua... embora falte um pedaço do coração em meu peito, ele continua pulsando com insistência.  

A gente ri, a gente chora, a gente sente, a gente cai no vazio... O tempo segue alheio aos nossos sentimentos, exigindo um passo após o outro... nem que a gente não saiba exatamente para onde esses passos vão nos levar nessa vida, não dá pra parar... ou então a gente vegeta. E não é isso o que Deus quer para nós. A cada momento Ele se revela presente, mostrando motivos para seguir adiante. Por Ele, por mim, por minha mãe, por tudo que papai fez por mim...

 

Eu tava voltando pra casa de ônibus, quando vi um velho conhecido caminhando pela calçada. Estudava com o Eliel, e me trouxe boas recordações daqueles tempos.

A gente nem namorava ainda, e lá vinham os dois na minha casa para “passarem o tempo”, quando saíam mais cedo do colégio. E eu adorava aquilo! Ficava sempre na torcida para que tivessem a última aula vaga, assim Eliel passaria em casa, e não tomava bronca de sua mãe por demorar para ir para a casa dele.

Fiquei pensando nas cartinhas que ele me escrevia... Os bilhetinhos, as coisinhas que me trazia... Tenho tudo guardado comigo, a sete chaves (rsrsrsrs). Ele foi me conquistando de mansinho... E a gente ta junto desde então, dezoito anos no total, entre amizade, namoro e casamento (não teve noivado).

Ele é o amor da minha vida!!! =D

 

Bom final de semana!!!

 

 

:: Postado por tanny® 21h38
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.:: Feliz dia dos pais! ::.

Velho
Paulo César da Silva
 
Velho, o tempo já se foi...
As águas são passadas, moinhos não movem mais.
Velho, de um dia tão antigo...
teus dias, gastos comigo, fizeram de mim o que sou
 
Fruto do tronco desta vida tua,
em plena rua, teu vigor roubei;
da tua paz tirei, do teu amor suguei,
do teu suor comi, no teu calor dormi.
Sou filho teu!
 
Velho, o tempo está aqui:
no filho que é teu renovo, de novo a vida se fez.
Velho, tu foste a semente,
pra que eu fosse, somente, a continuidade de ti.
 
Fruto...

Velho, o tempo está aqui...

 

:: Postado por tanny® 07h40
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“O povo libertado pelo Senhor vai voltar à sua terra; voltará a Jerusalém cheio de felicidade, coberto de alegria. Nunca mais haverá dor e sofrimento para ele.” Isaías 51:11

 

Domingo – 29/07/07 – período da tarde

O telefone tocou insistentemente e quando o retirei do gancho ouvi a voz da minha irmã do meio Sandra, que de um jeito sério me informou que meu pai estava sendo encaminhado para internação na UTI do hospital São Vicente de Jundiaí. Ele tinha sofrido uma crise de dores muito fortes no estômago, as pernas estavam paralisadas, os gritos eram de agonia, os lábios roxos se destacavam no rosto totalmente inchado.  Estava iniciando um processo de falência múltipla de órgãos devido a uma infecção.

Atendido prontamente por um médico amigo de meu irmão, o estado gravíssimo em que se encontrava, melhorou notavelmente, mas mesmo assim o Marcos (meu irmão caçula) pediu para que eu fosse para Cabreúva.

 

Segunda-feira – 30/07/07 – 11:00 hs da manhã

Meu coração foi tomado por uma angústia muito grande ao me aproximar da igreja que meu pai toma conta. Ele mora nos fundos, e minha sobrinha Vick e eu entramos para ver se tinha alguém. Minha mãe estava fazendo as malas dele para levar ao hospital, pois a médica que o atendera não o colocou na UTI (disse não haver necessidade), e pediu para levar roupas devido ao frio.

A casa me pareceu muito vazia e triste. Fiquei imaginando os momentos de agonia que ele havia atravessado no dia anterior. Enquanto minha mãe saiu rumo ao hospital, descemos na casa do meu irmão para aguardarmos o momento de sairmos para visita-lo no hospital.

 

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:: Postado por tanny® 00h56
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Segunda-feira – 30/07/07 – 14:00 hs

O hospital São Vicente permitiu a entrada de apenas duas pessoas para a visita. Meu irmão decidiu que entraríamos eu e sua esposa Leonina. Um homem de terno nos conduziu pelos corredores sem fim daquele hospital. Senti-me deprimida com o ambiente, aquelas pessoas aguardando o horário da consulta, macas pelos corredores, enfim... até o cheiro de hospital me incomodou.

Enfim chegamos ao quarto onde ele estava. Mal acreditei no que meus olhos viram: um velhinho frágil, com o corpinho envolvido naquela camisola branca de hospital, um cobertor xadrez jogado por cima de suas pernas, e uma máscara de oxigênio imensa cobrindo boa parte do seu rosto. Também estava com sonda.

Minha mãe já estava lá, aliás, ela veio ao meu encontro e ao da Lê no corredor, e percebi de imediato que o quarto estava cheio de leitos preenchidos, e cada paciente tinha o seu acompanhante e as visitas.

Vesti-me de coragem, abri um sorriso e me aproximei daquele velhinho que gemia o tempo todo, encurvadinho para frente em sofrimento... Beijei-lhe a testa quando ele mencionou alegremente o meu nome. Mal conseguia falar, tamanha era a falta de ar que sentia. Acarinhei seus cabelinhos brancos e finos (aliás, os meus cabelos são fininhos feito os dele), conversei bastante tentando encoraja-lo, brinquei com ele, oramos por ele, perguntei-lhe se queria viver e ser curado, e ele me disse que sim... Perguntou do meu marido, dos netinhos, de todos, glorificou muito ao nome de Jesus... parecia feliz em me ver ali. Apenas pediu desculpas por não poder falar muito, pois tossia quase que o tempo todo e tinha muita falta de ar.

Revezei com a Lê para dar-lhe água, chazinho, cobrir-lhe os ombros, arruma-lo sentadinho na cama, enfim, tudo o que ele pedia, a gente fazia por ele, enquanto minha mãe observava e conversava com a gente. Então, num dado momento, ele me disse: “cuida bem da sua mãe”. Varias vezes ele havia me pedido aquilo, mas dessa vez era realmente significativo.

A medica que entrou no quarto era jovem demais, uma loira toda senhora de si e bonita. Deu atenção primeiro aos outros pacientes, conversou com eles de um modo delicado, mas quando volveu-se para nós (Leonina, mamis e eu), realmente não me convenceu. Explicou-nos que ele tinha insuficiência cardíaca (coisa que estávamos carecas de saber), e que isso estava ocasionando toda essa crise que ele estava atravessando. Disse não ter encontrado infecção e não soube me dizer a quanto estava a diabetes. Informou que estava investigando a causa do coração grande que enchera o pulmão de água, e que poderia levar um tempo para chegar ao diagnóstico exato. Quando indagada pela minha cunhada o motivo de não te-lo internado na UTI conforme a carta de recomendação do doutor que o atendeu no início, ela disse não ter visto necessidade nisso, e que se visse, acharia uma “vaga” para ele. Tratou minha mãe com superioridade e ao se dirigir ao meu pai, foi extremamente grossa ao dizer para ele respirar pelo nariz. Quase pulei nela com os dois pés no peito... meu olhar a fuzilou por completo, e então ela suavizou a voz e explicou que se ele não fizesse isso, o ar não chegaria ao pulmão.

Saiu do quarto com a cabeleira loira e os saltos altos alardeantes.

Do frio que meu pai estava sentindo, passou para um calor insuportável e ele começou a gemer com maior intensidade de dor no peito. Coloquei minha mão na região e fiz uma oração, repreendendo a dor e declarando alívio. Ele parou de reclamar da dor, mas percebi que não estava conseguindo respirar. Mostrava-se desesperado. Pediu-me para chamar uma enfermeira, afim de trazer  uma outra máscara com um tubo maior  (a mesma que tinha usado durante a noite, quando passou por uma crise igual a que teve em casa), porque era mais potente e o faria dormir um pouco.

Corri pelos corredores e não achava ninguém que pudesse me ajudar. Incrível como as pessoas desaparecem na hora em que a gente mais precisa delas! Por fim, uma enfermeira apareceu, mas mostrava-se ocupada demais... Parei-a mesmo assim e pedi a tal da máscara. Gente, ela se empinou toda e arrogantemente me perguntou para quem era a máscara, quem pediu e patati patatá. Eu não deixei por menos, encarei-a também e respondi no mesmo tom. Que isso agora?! Quem essa gente pensa que é pra tratar as pessoas que dependem delas desse jeito? Me irritei profundamente e por pouco não estourei os dentes dela num soco só! Virei as costas e sai andando, para encontrar alguém mais disposto a me ajudar... E ela vendo a minha atitude, correu no quarto dele para conversar com ele... Fiquei sabendo que logo depois que saí, ela trouxe a máscara que ele pediu.

Mas antes do final do horário das visitas (aliás, já tinha estourado o horário, mas como ninguém avisou, eu e Leonina demos uma de “joão sem braço” e ficamos por ali), ainda conversei um pouco mais com meu papito, combinei de vir a noite para fazer companhia a ele das 7 da noite às 7 da manhã. Minha intenção era trazer a bíblia e ler um pouquinho para ele. Por fim, veio uma moça nos avisar para sair.

Triste eu o olhei e combinei que viria. Meu coração estava partido em vê-lo tão frágil, tão sofrido... E então o vi sorrir em meio às tosses e dizer: Glória a Deus, eu vi minha “fiika”.

 

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:: Postado por tanny® 00h55
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Segunda-feira – 30/07/07 – 18:00 hs

Depois de ter contado ao meu irmão como fora a visita, ele resolveu que iria passar a noite com meu pai, para ficar o tempo todo orando por ele. Embora eu me sentisse meio sem chão, querendo vê-lo outra vez, concordei porque meu maninho é pastor, e sabem como é isso, né?

Mas mamãe ligou dizendo que tinham transferido meu pai ao setor de emergências, onde não podia ter acompanhante. Sua voz vacilava, mostrava-se perdida, desorientada, pois tiraram-no do quarto sem dar explicações a ela, impedindo que ela o acompanhasse até lá. Ela chorou quando o viu olhar para ela e perguntar: “você não vai comigo?”... Não, ela não podia ir... Fico aqui imaginando seu sentimento de impotência diante daquilo. Fico imaginando o momento de solidão que meu pai atravessou ali, sem sua companheira que viveu completamente em função dele nesses últimos três anos... Ele não saía mais sozinho na rua por causa da catarata e da canseira, mas ela o levava em todos os lugares que ele tinha que ir, e a pé ainda por cima, ou de ônibus... Ela cuidou dele minuto a minuto, administrando os remédios, orando por ele, motivando-o dia a dia...

Então meu irmão resolveu ligar para seu amigo médico, e ambos foram ao hospital para saber o que estava acontecendo. Graças a Deus o dr. Marcelo pode entrar e conferir que finalmente ele estava na UTI, entubado e sedado, embora tivessem demorado demais para tomar essa providência cabal.

 

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:: Postado por tanny® 00h54
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Terça-feira – 31/07/07 – 01:00 h da madrugada

Finalmente minha mãe conseguira dormir um pouquinho. Eu, o Marcos e a Lê ficamos na sala conversando, enquanto as crianças dormiam também.

O telefone tocou e nos entreolhamos apreensivos. Não tinha dúvidas, aquilo que menos desejávamos teria que ser encarado. Foi a Lê quem criou coragem para atende-lo, e receber o recado de que o médico de plantão queria conversar com alguém da família. Por que será não contaram logo de cara o que estava acontecendo? Estávamos em Jacaré – Cabreúva, e teríamos que ir a Jundiaí.

Enquanto meu irmão ligava para a casa da minha irmã para chama-la, fui acordar minha mãe. Ai gente, como é difícil... que dureza, Senhor! Ela acordou assustada, meio fora do ar, ouvindo-me dizer que o médico estava nos chamando no hospital... Só vi quando ela começou chorar e perguntar: ai, meu Deus, o que aconteceu ao meu marido? Nossa, que tristeza...

 

Mais tarde, já no hospital, Marcos, Sandra e seu marido Jéferson, minha mãe e eu, fomos recebidos pela médica que cuidara do meu pai durante a noite.

Ele havia sido levado à emergência com insuficiência respiratória devido a uma pneumonia grave, e logo o sedaram e entubaram. Alguns órgãos internos já estavam parando, e eles foram aplicando uma bateria de remédios mais consistentes para resolver os diversos problemas. O coração estava fraco; sofreu uma ou duas paradas cardíacas e não respondeu aos procedimentos de ressuscitação. As 11:50 hs da noite do dia 30 de junho de 2007  (segunda feira), ele partiu. Graças a Deus não estava consciente, por causa da sedação.

 

Explicar o que sinto nesse momento não cabe em palavras. Uma parte de mim foi arrancada e minha alma dói na região do peito. Saudade? Que palavra pequena diante de tanto sentimento!

O rostinho no esquife não demonstrava mais dor, mas deixava bem claro que não adiantava chamar, porque ele não ouviria. Era uma escultura de carne feita por Deus, porque a vida que estava ali, agora se alegrava na presença de Seu Criador, num outro Reino, eterno dessa vez. Imagino a festa que os anjos realizaram para recebe-lo ali. Imagino que ele já logo quis rever seus pais, seus amigos que partiram antes dele e se deliciando em conhecer pessoalmente os personagens bíblicos de quem tanto pregou... Agora ele está livre desse corpo que tanto o castigou, quem sabe até virando cambalhotas com os amigos, e literalmente “babando” diante da presença de Jesus...

Deus o chamou para ser pastor, para pregar o evangelho a qualquer custo, e ele fielmente obedeceu até o fim. Posso até imaginar as recompensas que está recebendo agora!

Me orgulho dele! Agradeço a Deus por ter me dado o melhor pai que ele poderia ter me dado. Sei que agora ele está em boas mãos.

Havia muita gente especial homenageando-o em seu sepultamento: seus irmãos carnais, pastores, seus líderes, suas ovelhas, minhas amigas da Prefeitura, enfim, muita gente especial! Sei que muitos não puderam ir, mas o amavam também. Era querido... respeitado... um homem de valor!

Hoje não posso mais ouvir suas pregações, mas ele voltou ao pó como uma semente lançada para a continuidade de sua família. Meu maninho vai assumir a igreja que ele pastoreava (aliás, ele já estava realizando os cultos nesses últimos meses, devido ao próprio estado de saúde do meu pai), e minha irmã vai continuar na “igreja filha” que ela está constituindo... Minha mãe já tem a promessa dos líderes da Quadrangular de não ficar desamparada financeiramente, e eles (papis e mamis) receberão menções honrosas pelo que ele significou na Igreja de Jesus.

Não vou encerrar dizendo aquelas palavras de “descanse em paz”, porque eu sei que Ele já está mais do que descansado em Deus e eu quero mais é que Ele viva intensamente cada momento da eternidade com alegria, satisfação, prazer infinito e muita, mas muita festa ao nosso Deus!!!

Te amo, pai!

Beijinhus da sua “fiona”.

 

:: Postado por tanny® 00h53
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Quem sou

Oi! Sou Tania Guilherme, tambem conhecida como Tanny® e amo blogar. Sou casada com o Eliel, naum temos filhos, mas temos um hotweiller super fowfo chamado Atilla. Amo a Deus acima de todas as coisas, familia em segundo e me sinto muito feliz. Adoro cantar, ler, receber emails, ver filmes, passear, inventar, enfim, tudo de bom que esta terra possa oferecer!

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